quarta-feira, 21 de setembro de 2011

REFLEXÕES INICIAIS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA

Por: ANDERSON WEIZENMANN 2

INTRODUÇÃO

Este artigo tem por objetivo apresentar algumas problemáticas sobre formação inicial do acadêmico inserido tanto na teoria quanto na prática. A disciplina de Prática de Ensino II do Curso de História da Uniamérica – Faculdade União das Américas, proporcionou o estudo de teóricos que debatem a respeito dos conteúdos de ensino em história, e ainda, como poderíamos desenvolver tal exercendo a prática docente em sala de aula, deixando de lado o termo tradicional. Esse termo tradicional esta relacionado à questão do ensino monótono onde o aluno deve decorar os conteúdos para prova e para a vida, sendo que o importante mesmo, é entender os fatos ocorridos no passado para que o educando possa perceber que é um ser pensante perante a sociedade que esta em constante mudança.
Tendo em vista uma nova consciência para a prática do acadêmico do século XXI, onde o futuro docente não deve esquecer que os mecanismos de comunicação perante a vida cotidiana, caminham em passos largos e estão cada vez mais desenvolvidos, diríamos, no sentido das tecnologias.
Para entendermos o crescimento do professor da disciplina de História, devemos levar em consideração que este indivíduo em um determinado período, também foi um educando. Este indivíduo também passou por todo um ciclo de aprendizado tanto no ensino básico, médio e posteriormente na graduação como acadêmico. Ou seja, o aprendizado não parou e não para. Ambos estão em inseridos no processo de ensino aprendizado. Lembremos que o conhecimento não surgiu da noite para o dia, muito pelo contrário, o conhecimento de qualquer disciplina veio se desenrolando, evoluindo e foram transmitidos de geração para geração. Ainda, os grupos no desenrolar do processo histórico, precisaram entender sua realidade e buscar novas formas para sobreviver. Cada grupo foi se organizando de sua maneira e transmitindo para a próxima geração a consciência sobre suas normas, idéias, culturas e etc. Por fim, o aprendizado é a transmissão de conhecimento de um para outro, é um processo mútuo e permanente perante as sociedades.


1. CONCEPÇÃO TEÓRICA DE PRÁTICA DE ENSINO EM HISTÓRIA

O ponto de encontro destes sujeitos em um primeiro momento é a família, posteriormente ocorre no âmbito das escolas, sejam estas públicas ou privadas. É o ponto onde o indivíduo percorre o caminho do aprendizado dos conteúdos das disciplinas em modo geral como Geografia, Artes, Música, Matemática e outros, para nosso caso, ficaremos focados na disciplina de História. Pensadores da disciplina de sociologia no decorrer de seus respectivos estudos debatem os problemas da educação como instituição. Para ser específico, a escola é a unidade de socialização dos indivíduos conforme Guy Rocher aponta:

[...] é o processo pelo qual ao longo da vida a pessoa humana aprende e interioriza os elementos sócio-culturais de seu meio, integrando-os na estrutura de sua personalidade sob influência da experiência de agentes sociais significativos, e adaptando-se assim ao ambiente social em que deve viver. (1971, p. 12)

Conforme o autor aponta, a escola é uma instituição aonde se prepara o indivíduo que por sinal, não possui conhecimentos ainda sobre o seu meio, seja no sentido das profissões de trabalho, seja no sentido cultural, valores e etc. Seria através dessa instituição que os agentes (professores) gradativamente proporcionariam o conhecimento. Logo após o término dos anos escolares, este indivíduo teria adquirido personalidade pessoal, entendimento quanto aos valores culturais e posteriormente possa por si mesmo, estabelecer suas relações na sociedade da qual esta inserido.
Mas vejamos, acreditamos sim que a instituição escolar tem este ideal de cidadão no quadro geral. Por outro lado, será que na prática esta instituição consegue preparar o educando a tal nível de consciência? No caso do professor de História, será que esse senhor ou senhora consegue lecionar o conhecimento para os educandos? Ora, não vivemos em mundo de constantes transformações na comunicação e na tecnologia? Para esta questão, é necessário entendermos que se o mundo passa por constantes transformações, logicamente os conteúdos de ensino da instituição escolar também está neste bojo de transformações. Para tanto, existem críticas relativas que se configuram neste mundo de transformações, e não poderíamos deixar de citar, conforme Janice Theodoro alega:

Muitos pensam que a comunicação e a tecnologia são a pedra de toque da sociedade contemporânea. Eu diria que ambas são partes de um profundo processo de transformação. Os avanços tecnológicos foram constantes na história da humanidade. As invenções do fogo, da cerâmica, da roda, do aqueduto, do uso do vapor etc. marcaram a vida de diferentes civilizações, mas foram alterando os hábitos lentamente. (2005, p. 49)

Partindo dessa contribuição acima, não podemos encarar as mudanças tecnológicas como uma "pedra" da sociedade contemporânea. Temos que encarar com maturidade e desenvoltura as velhas tendências, mas principalmente as novas. Pois as mudanças ocorreram de forma constante e marcaram o crescimento das diferentes sociedades em seus percursos na história. De outro lado, se o fizeram o termo "mudança" continua a fazer parte do desenvolvimento de cada qual no século XXI.
Como se percebe, de forma alguma estamos negando que o mundo onde vivemos é o das mudanças. Mas, devemos focar o ponto de encontro entre dois sujeitos no mesmo ambiente "sala de aula", o educador e o educando. Muitas vezes ocorre o choque entre dois mundos. O mundo do professor, em constantes alterações nas diretrizes, orientações legais e práticas pedagógicas. O mundo dos educandos, que muitas vezes não encaram o ensino como algo útil para sua vida. Para tanto, é um desafio constante de entendimento e interação entre um e outro indivíduo, que segundo José Alves de Freitas Neto ocorre o seguinte:

Os discursos de valorização da educação, pautados nas mais diferentes concepções e orientações – por ser condição de cidadania, pela necessidade econômica, para ficar nas mais comuns – trazem consigo uma idéia de redenção e grandeza que se choca com a expectativa do aluno. Passadas as séries iniciais, logo no ensino fundamental e, sobretudo, no médio, vem a inevitável pergunta: por que eu devo estudar isso?(2005, p. 57)

A problemática nasce em sala de aula entre educador e educando, logo o educador será aquele que proporcionará a resposta para a inquietação da consciência do educando, conseqüentemente estabelecerá a relação entre o conteúdo teórico apreendido em sala de aula, e conteúdo para a vida. No caso da disciplina de História, este professor tem como primordial tarefa, estabelecer a definição entre a relação do passado com o presente local, para que disciplina se torne útil. Que conforme Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky demonstram e alegam:

O passado deve ser interrogado a partir de questões que nos inquietam no presente (caso contrário, estudá-lo fica sem sentido). Portanto, as aulas de História serão muito melhores se conseguirem estabelecer um duplo compromisso: com o passado e o presente. [...] significa tomar como referência questões sociais e culturais, assim como problemáticas humanas que fazem parte de nossa vida, temas como desigualdades socais, raciais, sexuais, diferenças culturais, problemas materiais e inquietações relacionadas a como interpretar o mundo, [...] contestar a ordem, consolidar instituições, preservar tradições, realizar rupturas[...]. (2005. p. 23).

Vejamos, vamos imaginar um educando com cerca de 10 ou 12 anos de idade, morando em Foz do Iguaçu – PR ou qualquer que seja a cidade. Para a vida deste indivíduo em constante crescimento físico e mental, façamos uma única pergunta. De que valeria a pena os educandos "João e Maria" estudarem a vida dos romanos do século IV ou V? Exercendo a lógica acadêmica, fica claro que o educador da disciplina de História deve carregar consigo os ideais citados acima. Vejamos, os educandos "João e Maria" devem estudar sim a vida dos romanos do século citado. Pois eles vivem em uma sociedade repleta de leis e políticas, ora não estão inseridos em uma instituição repleta de normas e leis? Pois bem, "João e Maria" devem compreender que foi em Roma que as organizações legislativas e políticas ganharam definitivamente a organização em sociedade. Desta forma não seria mais válido lecionar em História?
Assim sendo, o docente da disciplina de História pode buscar meios para atingir esse objetivo de ensino. Neste debate, não colocaremos a palavras "deve" buscar meios para se atingir o ensino. Pois vale lembrar que nem todas as escolas possuem aparatos pedagógicos e tecnológicos para tal atividade. Porém, não entraremos no mérito desta questão, ficará para uma próxima oportunidade. Continuando de modo geral, vivemos no século XXI onde todas as sociedades contemporâneas encontram-se interligadas pelo termo globalização. Termo este que designa a velocidade das informações via internet, onde até então, cabia ao poder das redes de comunicações como rádios e emissoras de televisão estabelecer a propagação das informações. Estas últimas continuam atuando de forma enérgica na sociedade, e ainda não perderam seu poder, outros diriam sua influência. Pois bem, queremos dizer que dentro das possibilidades existentes, os docentes de História podem exercer exercícios ou atividades para os educandos através de algumas tecnologias. Por exemplo, temos a questão do retroprojetor, o uso de filmes em sala de aula (baixo custo), o uso dos computadores (onde este item encontra-se disponíveis nas escolas), o datashow (exige noções de informática) e até mesmo o uso do telefone celular. Para este item, existem muitas controvérsias quanto ao seu manuseio. Alguns docentes alegam que este item toma a atenção dos educandos em sala de aula, outros apóiam o uso deste. Conforme cita MAIA este alega o seguinte:

Telefone celular: apesar de proibido em salas de aulas por lei estadual, poderia ser um recurso diferente e inovador para o processo de aprendizagem dos alunos, pois estes poderiam filmar as aulas, e tirar suas duvidas posteriormente, podem enviar os chamados torpedos para os professores e solucionarem suas dificuldades a distancia, apesar de que os comunicadores instantâneos como o MSN, podem também realizar isso. (2009, p. 1),


Contudo, são propostas sobre algumas possibilidades em que o docente da disciplina de História possa exercer a prática de ensino em sala de aula. Que de certa forma não se iniciaram aqui, já foram e continuam em debate entre os mais variados teóricos, tanto da disciplina em questão, quanto sobre outras disciplinas de ensino. Acreditamos ainda que para usar algumas destas tecnologias citadas, acima de tudo se faz importante que a instituição escolar tenha algo a oferecer ao professor além do velho giz.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, tanto o educador da disciplina de História e a instituição escolar, devem estar comprometidos em mostrar a realidade do local onde os educandos fazem parte. A juventude – educandos, quando percorrer de série em série os níveis, devem estar atentos para a vida em si. E mais, a vida não é como assistir televisão sentado em algum sofá, onde ao assistir um determinado canal é chato ou ruim, basta apertar o botão e trocar de canal ao ponto de sentir-se satisfeito. Pelo contrário, durante a vida em seu mais puro cotidiano, onde cada indivíduo compõe uma pequena parte do todo em termos sociais, não podemos simplesmente trocar de canal. Vivemos cada qual sem podermos trocar de canal.
O professor educador deve estar em constante busca do crescimento intelectual, buscando atualizar-se no âmbito dos debates, encontros acadêmicos, especializações, mestrados e etc. a fim de contribuir para que ele mesmo não fique em um estado de estagnação e pior, sem conteúdo. Deve cada vez mais se preparar para entender as novas tendências da prática de ensino que estão sendo debatidas nas instituições que regem tantos as normas quanto o conteúdo.



FONTES

MAIA, Oswaldo Henrique Nicolielo. O uso da tecnologia no ensino de História. Disponível em: <http://www.webartigos.com/articles/24708/1/O-uso-da-tecnologia-no-ensino-da-Historia/pagina1.html>. Acesso em: 06 jun. 2011.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. 6. Ed. São Paulo: Atlas S.A, 1990.

ROCHER, Guy. Sociologia Geral. Lisboa: Presença, 1971. v. 5.

KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula. Conceitos, práticas e propostas. 3. Ed. São Paulo: Contexto, 2005.

FONSECA, Thais Nivia de Lima. História e Ensino de História. 2. Ed. 1. reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

THEODORO, Janice. Educação para um mundo em transformação. KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula. Conceitos, práticas e propostas. 3. Ed. São Paulo: Contexto, 2005.

NETO, José Alves de Freitas. A Transversalidade e a renovação no ensino de História. KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula. Conceitos, práticas e propostas. 3. Ed. São Paulo: Contexto, 2005.

PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi. Por uma História prazeroza e conseguente. KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula. Conceitos, práticas e propostas. 3. Ed. São Paulo: Contexto, 2005.