segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Trajetória do Ensino de História no Brasil

Por: Maykon Santos da Silva 1


FONSECA, Selva Guimarães. Didática e pratica de ensino de história: Experiências, reflexões e aprendizados. 2ed.Campinas, SP: Papirus, 2003, p.9-96.


Para a compreensão das dimensões do ensino de história do Brasil, temos que ver como foi que o Estado principalmente durante o regime militar tratou a educação no país, quais foram os investimentos, as políticas de formação de profissionais da educação e os temas que foram abordados.
Como foi tratado o ensino de História nas últimas décadas do século XX, com o golpe militar de 1964, a característica central é o corte de investimento no ensino público, ou seja a desobrigação do Estando em investir em educação, tanto que em 1965 o investimento era 10,6% em 1975 mais do diminui o dobro tem somente 4,3% dos recursos do Estado voltado para a Educação.
Somente no final da década de 1980 com o projeto então senador João Calmon, que foi aprovado seu projeto de lei para regulamentar o investimento público na educação, com os recursos sendo aplicados em 12% do orçamento Federal e 25% para os Estados e Municípios, e a constituição de 1988 estabelece nunca menos18% para o Governo Federal e Estados e Municípios 25% de todos os impostos arrecadados.
Além dos cursos superiores de curta duração que tinha como objetivo forma mão de obra para a educação, desta forma não formando professores capacitados. O Governo Militar reprimiu os movimentos estudantis, privou as universidades de terem direito a manifestações e criticas junto às matérias de educação moral e cívica.
Na década de 1970 a educação ficou marcada pela falta de ciências humanas e do pensamento político. Foi determinado que o 2º grau fosse direcionado para os cursos profissionalizantes, este modelo foi adotado ao longo de dez anos.
Como ao longo do período ditatorial, houve a preocupação em manter a ordem cívica, ao longo dos anos geografia e história foi perdendo espaço para disciplina de ensino moral e cívico. Esse modelo era reforço, mas atividades escolares com desfile e independência, comemoração de conquista a exemplo do futebol e tantos outros elementos que poderia forma o patriotismo nos cidadãos. E ensino de história do Brasil foi confundido com o ensino de grandes heróis, símbolos e datas brasileiras. Somente com a redemocratização do Estado e com as políticas neoliberais no inicio da década de 1990 foi que, as diretrizes do ensino de história voltaram para a formação crítica dos indivíduos.
As novas diretrizes para o ensino de história da década de 1990 traz na problemática, o que ensinar em história, quais são os temas que devem ser abordados. Desta forma os PCNs e a LDB, nos faz pensar, qual é o verdadeiro papel da escola para a sociedade. É neste ponto que temos grandes debates, pois há uma grande problemática no que é cultura e memória e história de uma nação, e como isso deve ser ensinado.
O texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação considera que o ensino fundamental e médio deve ter como base o ensino do Brasil levando em conta os diversos grupos étnicos e de suas culturas, para a formação do Brasil.
Nas duas ultimas décadas do século XX, representou um grande momento para os debates e elaboração das propostas curriculares, assim como novos materiais didáticos e práticas de ensino.
Novos mecanismos de ensino foram inseridos no processo de educação, os professores não operam sozinhos, pois há outras ferramentas de ensino presentes no cotidiano dos alunos, como por exemplo, os meios de comunicação, por isso a importância parti da realidade social. Os parâmetros Curriculares Nacionais compreendem que há varias formas e ensinar história, devido as nossas concepções teóricas, políticas, ideológicas e metodológicas, mas que teve der por principio a formação da consciência histórica do individuo, o professor estar aptos a trabalhar com diferentes grupos sociais fazer a “integração” entre estes.
A História aprendida na universidade deveria ser para auxiliar o professor em suas aulas, pois a umas grandes diferenças dos conteúdos e fontes das escolas para universidades. Está é uma ampla dificuldade encarada pelos professores de história, pois como fazer a história se torna didática e interessante para os alunos de ensino fundamental e médio.
As repostas desta problemática começam a serem respondidas na Europa no século XIX, quando História se torna uma ciência, ela começa e ser ensinadas para alunos, e em universidades européias.
A História Tradicional e História Nova foram e são os grandes modelos do ensino de história no Brasil. A História Tradicional é de caráter positivista, com embasamento em documentos escritos e história de grandes homens. A História Nova inspirada na Escola dos Annales compreende que tudo é historia, seja homem ou mulher, rico ou pobre e a história da humanidade está em tudo que é produzido por ela.
A historiográfica do Brasil sofreu influencia dos movimentos europeus, inspirada basicamente na historia nova e na historiografia inglesa, o números de pesquisas e publicações crescem consideravelmente entre 1970 a 1990, não só os números que crescem, mas também a diversidades dos temas.
Mas ainda está história é distante a vida dos alunos, causando desinteresses deste. A história linear divida em grandes períodos, aonde o homem segue em caminho ao progresso e em constante evolução. O modelo de historia européia se perpetuou nas universidades e consequentemente nas escolas de ensino fundamental e médio do país. O modelo de história tradicional e do marxismo ortodoxo peca a privilegiar somente uma linha de aspectos chaves, causando pouca vontade nos alunos em aprender, pois está história fica distante de sua realidade, e após um determinado tempo nem sequer lembra-se do que foi estudado.
Por isso é importante livros didáticos bons, que tenha temas diversificados com abordagens atuais. Pensar a questão do livro didático é complexo, pois passa por interesses da indústria cultural, Estado, educação fundamental e média e também tendências acadêmicas.
Com a massificação do ensino na segunda metade do século XX, com interesses por traz disto com a modernização do Estado e a industrialização, foi preciso fornecer educação pública para todos. Com o número de pessoas nas escolas o numero de produção de livro didático também aumentou, o Governo Federal cedeu incentivos para esta produção, só que os livros deveriam estar em conformidade com o projeto de país e aliada a ideologia de segurança nacional do Regime Militar.
As editoras investiam em elementos do livro didático para se manter no mercado, elas incrementaram planos de aulas, atividades e outros elementos. Esta massificação e fácil acesso ao ensino, não significou qualidade do ensino, ao contrario de outros países que investiram na educação, o Brasil continuo entre os piores níveis de educação do mundo. Os conteúdos dos livros didáticos estavam bastante simplificados, longos períodos históricos encontravam-se em poucas folhas.
Foi preciso debates acadêmicos para as editoras rever seus conteúdos e forma gráfica. Com os novos campos de pesquisa aparecendo no Brasil, foi necessário fazer a revisão dos conteúdos que os livros didáticos abordavam. As matérias paradidáticas produzidos por acadêmicos pareceram ser boas alternativa, além de trazer novas perspectivas históricas, são textos com embasamento.
Nos anos 90, o MEC é o responsável por distribuir os livros didáticos no país, e fazer a avaliação deste, os novos livros didáticos deveriam ser atualizados, os com erros gráficos ou com algum tipo de preconceitos, a editora teria a responsabilidade e retirar estes livros do mercado. Junto com a avaliação dos livros, novos textos foram incrementados, textos que fizessem comparação com a atualidade, temas mais amplo.
Não há como ensinar sem texto, os livros didáticos devem ser usados com outros recursos. Os professores neste processo ganharam a autonomia de escolher os livros que pretendem trabalhar, de acordo com sua realidade local.
Neste sentido é importante uma boa formação dos professores, pois além da responsabilidade de docência, cabem também a este profissional a escolha e exigência de bons livros didáticos.
A formação de professores de história ao longo dos anos é marcada pelas desculpas ideológicas e políticas, além de entidades e pedagogos discutir sobre a o assunto, a Anpuh tem uma participação ativa neste processo.
O que deve prevalecer para um bom professor de histórias, as experiências dos anos em sala eu aula, ou o preparo pedagógico da academia. O acadêmico que ingressa em um curso de licenciatura de história é professor! Não é bem esta resposta, pois inúmeros debates que entre o professor de historia deve ter conhecimentos somente de história e o conhecimento pedagógico fica em segundo plano.
Se durante o processo acadêmico historiador se depara com varias fontes, confrontos de ideias, na educação básica há precariedade neste assunto, principalmente pelo uso exclusivo do livro didático.
Com o fim dos cursos de curta duração para professores, a reestruturação da matriz do curso de História, o curso enfrenta uma dupla face que é a formação bacharel ou licenciado. A defasagem da graduação fica evidente quando o professor vai para sala de aula, e fica perdido muita das vezes, o que aprendeu durante o curso não é suficiente para enfrentar todos os “problemas” da sala de aula.
O modelo que mais comum de formação é o três+um, ou seja, durante três anos o acadêmico estuda a parte de pesquisa, teoria e disciplinas de História, no outro ano é de conhecimentos específicos em pedagogia.
O professor durante um ano letivo convive com varias situações que pode ser o desinteresse os alunos ou a linguagem usada por ele. Saber ensinar está é a principal dificuldade, com transmitir o conhecimento, pois muitas vezes o professor domina o conteúdo, mas não consegue passar de maneira didática para seus alunos. É por isso que o historiador que pretende ser professor deve estar capacitado pedagogicamente.
Isso faz levantar uma grande problemática, o curso de História de forma historiador ou professor, uma vez que a realidade de quem entra no curso de História hoje é praticamente a profissão de professor.
Para as Diretrizes de Formação de Historiadores, deve prevalecer à formação do historiador e pesquisador, os saberes pedagógicos devem ser complementares. Se o trabalho desde profissional quase sempre é a sala de aula, por que não á a preocupação em forma bons professores, que possam atender os objetivos que são propostos no processo de ensino.
Os modelos de formação do professor de história acabam por gerar mal estar nestes profissionais, pois carecem de qualidades pedagógicas e de reconhecimento de seu trabalho.
A atualização os professores de história também é uma coisa seria, já que muitas das vezes esta formação continuada gera aumento das exigências, recebe a obrigação de socialização dos alunos, assimilas as histórias imediatas que passa nos meios de comunicação com sua matéria. A formação continuada deveria ser feita para que tenhamos uma melhora no sistema de educação, e não que gera mais descontento para os professores, visto que é acrescentado responsabilidade o professor, mas não é oferecido melhores condições de trabalho.
Os modelos de ensino de história no Brasil, durante quase toda a sua história não teve como objetivo a história educativa, formativa e libertadora. O ensino de história esteve sempre no poder das lutas políticas, usada com forma de dominação da população.
O papel da disciplina de história durante anos de 1960-1970 tinham com objetivo ensinar no padrão positivista, eurocêntrica e linear, fazendo a auto exclusão dos indivíduos na história. E as escolas em todo o Brasil contribuíam para este modelo de educação, com o ensino moral e cívico.
As lutas sócias dos anos 70 proporcionaram a partir de 1982 foi reformulado o ensino de história, junto ao processo de redemocratização e reorganização do Estado. Houve mudanças nas publicações inspiradas no “repensar” as editoras contribuíram com as publicações do novo quadro ideológico do país.
No campo de ensino de historia, houve o processo de contraposição da historia oficial, preparando a sociedade para a democrática. O plano Liberal remodelou o modelo histórico do marxismo ortodoxo, usou o espírito de luta de classe para impulsionar a luta pela democracia, a estrutura historiográfica configurou na evolução da produção com embasamento da sociedade europeias, fazendo somente comparações com a história brasileira e da América.
Outra linha de ensino de historia neste momento era a história social inglesa e nova historiografia francesa, aonde todos os sujeitos fazem e contribuem para a história. Usou da ideologia de progresso e evolução, para fazer os jovens lutar por melhoras.
Porém nenhum destas duas formas de ensino tinha o objetivo na libertação critica e de consciência histórica. O modelo de democracia deveria tem como finalidade o fim da exclusão.
Por fim, a trajetória do ensino de história no Brasil sofreu com um longo período de estagnação, no mesmo momento em que é aberta a educação pública para todos, as políticas do regime militar, reprimiu e prejudicou a formação de bons historiadores e professores, seja pela falta de incentivo financeiro, cursos de curta duração ou manipulação das matérias estudas. Enquanto a boa formação de professores de história há inúmeros debates ideológicos, mas as próprias diretrizes para a formação destes profissionais não dá prioridade de forma bons educadores. Por parte do temas que o ensino de história deve aborda, sofre com interesses de grupos sócias, aonde boa parte das vezes a prioridade é o historia oficial e tradicional. Os temas escolhido para o ensino de história, que estão presentes nos livros didáticos são usados pelos professores como verdade absoluta e única fonte de informação histórica para os alunos. Nesta hora é importante ter professores capacitados para trazer, fazer abordagens diferentes, para que o livro didático seja somente o plano de fundo, com o titulo a ser estudo.
Numa perspectiva de professores de história bem formados, aonde este saiba fazer a escolha e problematização do livro didático, junto a uso de recursos, a ensino de história pode caminha para um ensino de libertação, de força de senso critico e de consciência histórica.